anonyous-estado-islamico

Ontem os meus coleguinhas do Anonymous declararam guerra ao ISIS.

Guerra cibernética, evidentemente.

“Para defender os nossos valores e nossa liberdade, perseguiremos os membros do grupo terrorista responsável pelos ataques. Nós não iremos desistir. Nós não vamos perdoar. Faremos tudo o que for necessário para colocar fim a essas ações.”

O vídeo oficial pode ser visto abaixo:

Os terroristas do El têm Kalashinikovs, tanques de guerra, carros blindados e mísseis antitanques.

Um amigo me perguntou em tom jocoso:

“O Anonymous pretende fazer o quê? Instalar remotamente o Baidu e o Hao123 nos computadores dos terroristas?”

O grupo já conseguiu derrubar, desde o episódio Charlie Hebdo, 100.000 contas de Twitter, 150 websites e quase 6 mil vídeos propagandístico foram retirados do ar. Esta é a guerra do Anonymous contra o Estado Islâmico. (Leia este interessante artigo da Foreign Police caso queira se aprofundar sobre o assunto)

O El emitiu uma nota de resposta, chamando o grupo de “idiotas”, chatos, bobos e feios.

“Os hackers de Anomymous ameaçaram num novo vídeo a realização da maior operação de hacking contra o Estado Islâmico (idiotas)”.

E ainda deu orientações ao seus seguidores de como evitar ser “hackeado”.

Não abrir links desconhecidos, mudar de endereço de IP constantemente, usar uma rede VPN, não conversar com desconhecidos por meio do Telegram ou de mensagens do Twitter.

Tudo muito certinho. Estão sendo bem assessorados, mas se os terroristas permitirem, acrescentaria três conselhos: usar senhas fortesinstalar os patches de atualização do sistema operacional e aplicativos e usar um bom software antimalware.

A nota de resposta, enviada em árabe e inglês, foi veiculada por outros canais do Telegram, supostamente ligados ao Estado Islâmico.

Métodos e estratégias

Os métodos usados são os tradicionais ataques, tais como negação de serviço (DDoS), a fim de sobrecarregar os servidores e ataques de injeção SQL, usados para o afetar o código dos sites a partir de dentro.

Além do Twitter e dos sites de divulgação da causa terrorista, os ataques hacktivistas do Anonymous visam centros de doação em Bitcoins, de forma a minar os meios de obtenção de recursos financeiros do El.

Os hacktivistas podem, também, ajudar a descobrir e rastrear pistas de esconderijos e suspeitos de participar e planejar ações terroristas. A estratégia, além de desarticular a comunicação e a propaganda do Estado Islâmico, é expor os extremistas. Se eu fosse um terrorista, meu pior pesadelo seria o de ter a minha identidade descoberta.

Enquanto escrevo, passadas algumas horas da declaração de guerra contra os jihadistas, leio no jornal inglês The Independent que 5,5 mil contas pertencentes a membros ou associações do Estado Islâmico já foram descobertas, denunciadas e devidamente removidas do Twitter, além de sites relacionados ao grupo terrorista terem caído momentaneamente por conta de ataques DDoS.

twitter-anonymous
Mensagem posta no Twitter @opparisofficial: https://twitter.com/opparisofficial

Ciberguerra e ciberterrorismo

Hoje foi noticiado que o Chanceler do Tesouro do Reino Unido, George Osborne, aumentará os investimentos para a área de segurança cibernética.

O El, segundo ele, poderia perpetrar grandes ataques cibernéticos contra centrais elétricas, afetando a infra-estrutura do país.

Um ataque cibernético poderia afetar o abastecimento de eletricidade, controle de tráfego aéreo e hospitais. Ou seja, os ataques não afetam apenas a infraestrutura, mas colocam vidas em risco.

ISIS HACKERS
Tipos de Ataque, motivações, alvos e países inimigos dos hackers do ISIS.
Fonte: http://www.memrijttm.org/hacking-in-the-name-of-the-islamic-state-isis.html

O ISIS tem hackers em seus quadros. Jornais, estações de rádio, órgãos de governos, universidades e empresas já sofreram ciberataques.

Há um debate entre os especialistas de segurança da informação sobre as capacidades cibernéticas dos membros e simpatizantes do ISIS. Alguns analistas têm tentado minimizar a importância dos ataque, classificando muitos como falsos.

O próprio Anonymous já disse que os hackers do grupo CyberCaliphate divulgam informações que já estão disponíveis ao público e afirmam que foram eles que roubaram por meio de ataques ou tentam levar o crédito por ataques feitos por outros hackers.

A polêmica vai além. A empresa de cibersegurança iSight Partner sustenta, a partir de evidências, que o CyberCaliphate é, na verdade, operado por um grupo de russos e não por simpatizantes do ISIS. (These cyberhackers may not be backed by ISIS).

Gosto deste assunto. Acompanho com vivo interesse os desdobramentos das ações de hacktivistas no âmbito da política internacional e da cibersegurança.

Tenho muitas ressalvas em relação ao Anonymous, que age à margem da lei como um grupo de justiceiros. E todo justiceiro – a realidade demonstra – pode cometer injustiças piores das que combatem.

Desta vez, pelo menos, a causa do Anonymous tem o meu apoio.

ASSINE NOSSO BOLETIM
Concordo em informar meus dados pessoais para recebimento da newsletter.
Junte-se a mais de 8.000 visitantes que estão recebendo nossa newsletter sobre cibersegurança.
Seu endereço de email não será vendido ou compartilhado com mais ninguém.